
Noventa e três por cento dos entrevistados – de um total de 2055 – se declararam a favor do Desmatamento Zero e grande parte toparia inclusive reajustes de preços nos produtos agrícolas em troca do fim da destruição da floresta. A alternativa de autorizar mais desmatamento para aumentar a produção brasileira ficou com apenas 3% dos votos.Além do resultado desta pesquisa, a boa notícia é que o sacrifício imaginado de compensar, no custo dos alimentos, a não derrubada de árvores não é necessário. Hoje, se contabilizarmos as áreas de pasto improdutivas no país, mais as áreas já desflorestadas e abandonadas, chegaremos a conclusão de que temos espaço suficiente não apenas para aumentar, mas para duplicar a produção nacional de alimentos. Acabar com o desmatamento não tem nada a ver com limitar nossa expansão agrícola. Podemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo.E porque não fazemos, então?A resposta está na falta de vontade da maioria das autoridades, aliada com o oportunismo político de outras. Hoje, muitos deputados, senadores e até ministros preferem alimentar a briga “meio ambiente versus agricultura” para ganhar o direito de se auto-nomearem como defensores de um desses lados, garantindo votos para a próxima eleição. Para chamar a atenção da mídia vale tudo: desde anistia aos crimes ambientais, premiando a ilegalidade, até manipulação de dados e informações.Um exemplo é o que aconteceu no Senado no último dia 29 de abril. O pesquisador da Embrapa, Evaristo de Miranda, participou de uma audiência pública entre todas as comissões do Senado para convencer a todos que seu estudo, intitulado “O Alcance da Legislação Ambiental Territorial”, comprovaria a necessidade de permitir mais desmatamentos no país, uma vez que a legislação ambiental brasileira constituía uma barreira para a produção no campo. É bom lembrar que a audiência foi organizada pela presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil(CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO).A história mal-contada durou pouco. Quando perguntado, por exemplo, se a pesquisa refletia o pensamento da Embrapa, pela qual se apresentava, Evaristo de Miranda não respondeu. No mesmo dia, diversos técnicos da instituição declararam que o estudo era uma farsa. Nos últimos tempos, os dados apresentados viraram uma espécie de bíblia anti-ambiental da bancada ruralista no Congresso, mas a pesquisa apresenta erros de metodologia e cálculo, e não considera vários aspectos da legislação atual.Enquanto alguns eleitos brincam de bancar o herói em nome de quem produz, nossas florestas continuam sendo derrubadas de forma ilegal e o agronegócio continua se expandindo de forma irregular na direção errada. Esse tipo de circo armado enche de lucros – e votos – alguns poucos, enquanto o prejuízo é dividido pelo restante do Brasil.
Nossa,Esse blog é bom mesmo, gostei tomara que vocês tenham sucesso! >^.^<
ResponderExcluirEu acho esse blog uma merda prefiro o meu
ResponderExcluirass: vc vai ve seu merda nub idiota sei onde se mora vo mata vc