sexta-feira, 8 de maio de 2009

Desmatamento Zero: para fortalecer a economia do presente sem comprometer o futuro

Pesquisa recente encomendada pela ONG Amigos da Terra ao Datafolha revela uma vontade esmagadora da população brasileira pelo fim do desmatamento na Amazônia
Noventa e três por cento dos entrevistados – de um total de 2055 – se declararam a favor do Desmatamento Zero e grande parte toparia inclusive reajustes de preços nos produtos agrícolas em troca do fim da destruição da floresta. A alternativa de autorizar mais desmatamento para aumentar a produção brasileira ficou com apenas 3% dos votos.Além do resultado desta pesquisa, a boa notícia é que o sacrifício imaginado de compensar, no custo dos alimentos, a não derrubada de árvores não é necessário. Hoje, se contabilizarmos as áreas de pasto improdutivas no país, mais as áreas já desflorestadas e abandonadas, chegaremos a conclusão de que temos espaço suficiente não apenas para aumentar, mas para duplicar a produção nacional de alimentos. Acabar com o desmatamento não tem nada a ver com limitar nossa expansão agrícola. Podemos fazer as duas coisas ao mesmo tempo.E porque não fazemos, então?A resposta está na falta de vontade da maioria das autoridades, aliada com o oportunismo político de outras. Hoje, muitos deputados, senadores e até ministros preferem alimentar a briga “meio ambiente versus agricultura” para ganhar o direito de se auto-nomearem como defensores de um desses lados, garantindo votos para a próxima eleição. Para chamar a atenção da mídia vale tudo: desde anistia aos crimes ambientais, premiando a ilegalidade, até manipulação de dados e informações.Um exemplo é o que aconteceu no Senado no último dia 29 de abril. O pesquisador da Embrapa, Evaristo de Miranda, participou de uma audiência pública entre todas as comissões do Senado para convencer a todos que seu estudo, intitulado “O Alcance da Legislação Ambiental Territorial”, comprovaria a necessidade de permitir mais desmatamentos no país, uma vez que a legislação ambiental brasileira constituía uma barreira para a produção no campo. É bom lembrar que a audiência foi organizada pela presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil(CNA), senadora Kátia Abreu (DEM-TO).A história mal-contada durou pouco. Quando perguntado, por exemplo, se a pesquisa refletia o pensamento da Embrapa, pela qual se apresentava, Evaristo de Miranda não respondeu. No mesmo dia, diversos técnicos da instituição declararam que o estudo era uma farsa. Nos últimos tempos, os dados apresentados viraram uma espécie de bíblia anti-ambiental da bancada ruralista no Congresso, mas a pesquisa apresenta erros de metodologia e cálculo, e não considera vários aspectos da legislação atual.Enquanto alguns eleitos brincam de bancar o herói em nome de quem produz, nossas florestas continuam sendo derrubadas de forma ilegal e o agronegócio continua se expandindo de forma irregular na direção errada. Esse tipo de circo armado enche de lucros – e votos – alguns poucos, enquanto o prejuízo é dividido pelo restante do Brasil.

11 são presos acusados por crimes ambientais

Uma ação da Polícia Federal, Força Nacional de Segurança e Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (IBAMA), em Feliz Natal (130 km de Sinop), ontem, resultou na prisão de 11 pessoas acusadas de crimes ambientais, além da apreensão de três revólveres, espingarda, munições, quatro caminhões, um trator de esteira e motosseras usadas para extração ilegal de madeira. O trabalho integra a Operação Arco de Fogo cujo foco é reprimir a comercialização de produtos retirados de forma irregular das florestas e também coibir crimes ambientais.
Durante todo o dia cerca de trinta agentes percorreram áreas onde havia desmatamento ilegal. Para chegar a uma das clareiras, os fiscais e policiais abordaram um caminhão e o motorista indicou o ponto onde era realizada a extração. Conforme o Ibama, as características do local indicam que a extração ocorreu em um dia. Os fiscais levantam a metragem de madeira derrubada.
Este é o segundo desdobramento da Arco de Fogo no Nortão na semana. Na terça-feira, em Peixoto de Azevedo, dois garimpos clandestinos foram fechados. Das 40 pessoas que estavam trabalhando no local, 7 foram presas. 3 são considerados donos dos garimpos e 4 operadores das máquinas que estavam retirando terra do fundo do rio em busca de ouro. Policiais apreenderam dois tratores esteiras e três retorescavadeiras avaliadas pela PF em R$ 1,5 milhão. A Justiça Federal concedeu a liberdade provisória às sete pessoas.

Compostos de plantas elevam poluição de incêndios florestais

Não é preciso ser um gênio para saber que a fumaça de uma floresta não é muito saudável. Mas um novo estudo ajuda a quantificar o problema. Entre outras coisas, as pequenas partículas da fumaça de incêndios florestais contêm vários compostos orgânicos de nitrogênio.
Pesquisadores do Laboratório Nacional do Noroeste Pacífico em Richland, Washington, reportam no periódico Environmental Science and Technology que uma "fração substancial" desses compostos de nitrogênio são alcalóides de plantas, que podem ser tóxicos.
Alexander Laskin, Jeffrey S. Smith e Julian Laskin usaram uma técnica de espectrometria de massa de alta resolução para identificar os compostos da fumaça a partir de cinco amostras que foram queimadas no laboratório de Missoula, Montana. Os alcalóides foram mais abundantes em amostras do pinheiro ponderosa. Queimas sem chama de folhas de pinheiro e outros materiais podem produzir mais alcalóides do que incêndios florestais de grande escala, sugeriram os pesquisadores, porque os compostos não se quebram tanto em fogo de baixa temperatura.
Não é surpreendente que os pesquisadores tenham encontrado alcalóides na fumaça - eles são naturalmente produzidos pelas plantas e outros seres vivos, e muitas vezes são úteis como defesa (eles podem fazer a planta ter um gosto ruim para um animal, por exemplo). Mas os alcalóides também podem causar mutações genéticas em animais e humanos. Mais uma razão para ficar longe de uma área de incêndio florestal e evitar a inalação de fumaça.
Os pesquisadores dizem que como esses compostos acabam voltando para o solo e a água, os incêndios de florestas podem ser uma fonte significativa de nitrogênio biologicamente útil. E como os compostos são alcalinos, eles podem afetar a formação de nuvens e os padrões de precipitação.

Incêndios florestais ameaçam áreas povoadas na Califórnia

Bombeiros tentavam impedir na manhã desta sexta-feira (8) que os incêndios florestais atingissem áreas densamente povoadas no condado de Santa Bárbara, na Califórnia. Vizinhanças cheias de mansões pareciam "cidades fantasmas" tomadas pela fumaça.

A força crescente do fogo obrigou as autoridades a mandar mais 6 mil pessoas deixarem suas casas, segundo o xerife do condado, Bill Brown. Agora são mais de 18 mil evacuados. Os bombeiros disseram que as chaamas atingiram estradas e continuavam se espalhando. Pelo menos 11 bombeiros ficaram feridos no combate ao fogo, entre queimados e intoxicados pela fumaça. As autoridades providenciaram um segundo acampamento para acomodar 900 mil pessoas em uma escola. Até o fim da quinta-feira, o fogo já havia atingido 2.739 acres de florestas. Os bombeiros temem que os ventos "sundowner" propaguem ainda mais as chamas.