quinta-feira, 7 de maio de 2009

A Desflorestação da Amazônia





A desflorestação da Amazônia brasileira é pior do que se julgava, segundo novos dados de satélites que assinalam abates selectivos ilegais de árvores, indica um estudo hoje publicado pela revista científica Science citada pela Lusa. A investigação, de cientistas do instituto privado norte- americano Carnegie Institution, de Washington, conclui que as actividades humanas estão a degradar a selva amazónica ao dobro do ritmo estimado anteriormente.


Considerada a maior bacia fluvial do mundo e o grande pulmão do Planeta, a região amazónica é um gigantesco ecossistema de selvas tropicais que se estende por sete milhões de quilómetros quadrados.É também considerada a reserva biológica mais rica do mundo, com vários milhões de espécies de insectos, plantas, pássaros e outras formas de vida, muitas das quais ainda sem registo científico.

Até agora, os métodos baseados nas imagens de satélites só detectavam extensões de terrenos em que as árvores tinham sido cortadas para dar espaço a fazendas ou pastagens.No entanto, um novo método de imagens por satélite desenvolvido por cientistas da Carnegie Institution, sob a coordenação de Gregory Asner, consegue determinar níveis mais precisos da desflorestação amazónica.


O método, chamado Sistema de Análises Carnegie Landsat, em cujo desenvolvimento também participou a NASA, permitiu aos cientistas identificar muitas zonas onde a floresta tropical foi reduzida através de "abates selectivos", segundo o estudo.Neste tipo de desflorestação só se abatem certas espécies de árvores comercializáveis, cujos troncos são depois transportados para serrações.

Para detectar e quantificar este tipo de árvores nos cinco estados madeireiros mais importantes da Amazónia brasileira, os investigadores aplicaram o sistema que lhes permite analisar cada pixel (ponto) da imagem produzida por três satélites.Através dessa análise, conseguiram determinar a percentagem de terra com floresta e sem floresta dentro de cada ponto da imagem.

Assim, os investigadores constataram que entre 1999 e 2002 o abate selectivo aumentou entre 60 e 128 por cento a área de floresta danificada conhecida anteriormente. De acordo com os autores do estudo, o volume total de árvores cortadas representa entre 10 e 15 milhões de toneladas métricas de carbono retiradas ao ecossistema.

Financiado pela NASA e pela Carnegie Institution, o estudo contou também com a participação de cientistas do Serviço Florestal dos EUA, do Instituto Internacional de Florestas tropicais, de Porto rico, da Universidade de New Hampshire e da EMBRAPA-Amazonia Oriental do estado brasileiro de Pará.

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